Suínos - Nutrição

A alimentação tem um papel importante na produção de suínos. Ela é necessária para se obter o máximo de rendimento num menor período de tempo possível. É preciso encontrar uma alimentação racional, que permita um melhor retorno do capital e que atenda ao desempenho normal de acordo com o potencial genético de cada raça.

O crescimento do suíno depende de vários fatores, tais como: fornecimento de nutrientes, idade, genética e condições sanitárias das instalações. O peso dos animais, quando na fase adulta, está relacionado com o peso do tecido muscular. Já seu conteúdo de gordura é bastante variável.
O acúmulo de gordura é encontrado principalmente na área subcutânea, cerca de 65%. Há também um acúmulo entre os músculos, os rins e os intestinos. Os suínos engordam à medida que vão crescendo, sendo eles classificados em várias faixas de peso e idade:
* Leitões do nascimento ao desmame: é importante o fornecimento do colostro nas primeiras 24 horas de vida, sendo este a principal fonte de energia e sendo também responsável pela resistência as doenças, por possuir anticorpos.
* Leitões Pós-Desmame de 5 a 25 kg.: os leitões que são normalmente desmamados com 10 a 17 dias de idade, devem possuir um programa nutricional especializado, em relação àqueles que são desmamados com 21 a 28 dias, devido às trocas dramáticas que ocorrem no sistema digestivo dos suínos nesta fase. A inclusão de alimentos de elevada densidade nutricional, principalmente proteína e energia, e com alta digestibilidade, é o objetivo procurado quando se elaboram dietas para leitões desmamados precocemente, os quais não possuem o sistema enzimático totalmente desenvolvido, não sendo capaz de digerir todos os nutrientes encontrados nos alimentos tradicionais.
* Crescimento dos 25 a 60 kg.: normalmente é dividida em duas fases: dos 25 aos 40 kg. e dos 40 aos 60 kg., porque assim atende-se melhor aos níveis nutricionais do suíno. Nessas fases o animal tem maior velocidade de deposição de tecido magro, portanto, é recomendado maiores níveis de lisina e outros aminoácidos. Leitões nessa fase apresentam dificuldade em digerir algumas proteínas vegetais, sendo recomendado a utilização de proteínas de origem animal.
* Terminaçãodos 60 a 100 kg.: representam de 50 a 55% dos custos de alimentação. Os animais nessa fase são mais susceptíveis às trocas nas dietas que afetem o consumo de alimentos, portanto, programas de alimentação que incluam dietas de verão e inverno e sexo separado precisam ser justificadas economicamente.
* Gestação: A alimentação das matrizes nesta fase depende muito da idade em que se deseja desmamar seus futuros leitões. Para o desmame segregado de leitões ( super precoce) dietas ricas em gorduras, proteínas e vitaminas estão sendo utilizadas. Para desmame aos 21 dias em diante, é recomendada a alimentação restrita tanto para porcas quanto para leitoas, porém deve-se reduzir a energia e não os demais nutrientes.
* Lactação: deve-se deixar livre acesso à dieta, visando maximizar a produção de leite.
* Machos: podem ser alimentados semelhantes às porcas em gestação com restrição de energia.

Energia
Hoje, tem-se tentado maximizar a eficiência de utilização dos alimentos buscando minimizar os custos de produção, já que a alimentação corresponde a 65% dos custos na produção suinícola. Isso depende do conhecimento da disponibilidade dos nutrientes dos alimentos e das exigências nutricionais dos suínos nos vários estágios fisiológicos.
A energia é importante para manter a atividade metabólica do corpo, tais como a atividade do músculo cardíaco, pulmões, atividade voluntária, renovação de células e reciclagem de tecidos, e também para a síntese de tecidos de crescimento, gestação e lactação e para manutenção da temperatura corporal em ambientes frios.
Quando os componentes da dieta que produzem energia são oxidados, eles alimentam os processos metabólicos, resultando em produção de calor pelo animal. Se não forem oxidados, estes são depositados no corpo do animal resultando em crescimento e ganho de peso.

Proteína
Durante a digestão, as proteínas são quebradas em suas unidades menores, os aminoácidos e os peptídios. Estes são absorvidos e, na corrente sangüínea, incorporados à novas moléculas de proteínas e participam do metabolismo e da síntese de tecidos.
Se houver deficiência em um ou mais aminoácido, ocorre uma redução na velocidade de ganho de peso, uma piora na conversão alimentar e uma redução no desempenho reprodutivo.

Lipídios
A gordura, que é uma forma de lipídio, é o principal componente do corpo dos animais e é importante na composição das dietas dos suínos. Ela é encontrada em várias concentrações nos diferentes alimentos.
As gorduras, por apresentarem uma alta densidade em energia, são extremamente importantes nas necessidades energéticas.
Estudos indicam que se forem adicionados de 3% a 5% de gordura na dieta de suínos na fase de crescimento-terminação poderá haver uma melhora na conversão alimentar e no ganho diário, além de ter um efeito palatabilizante, promovendo um aumento no consumo de alimentos. Porém, deve-se tomar cuidado quando a alimentação é à vontade, para não aumentar o depósito de gordura.

Vitaminas
A função das vitaminas é manter normal o funcionamento e o desenvolvimento dos tecidos, o crescimento, a saúde e a reprodução. As vitaminas são:
* Vitamina A: é essencial para a visão, reprodução, crescimento e a manutenção da diferenciação epitelial e secreção de muco. Os suínos armazenam vitamina A no fígado.
* Vitamina D: atua na mucosa das células do intestino delgado, provocando a formação de proteínas ligadoras de cálcio. Essas proteínas facilitam o transporte e a absorção de cálcio e de magnésio e influenciam a absorção de fósforo. A deficiência desta vitamina em suínos em crescimento provoca raquitismo e em animais adultos, provoca osteomalácia.
* Vitamina E: a deficiência desta vitamina causa perda de desempenho, aumento da taxa de mortalidade, degeneração muscular, necrose hepática, anemia, e lesão arterial.
* Vitamina K: é essencial para a coagulação sangüínea.
* Riboflavina: a deficiência desta vitamina leva ao anestro e falha reprodutivas em leitoas, e em leitões em crescimento causa crescimento lento, catarata, seborréia, vômito e alopécia.
* Niacina: sua deficiência causa redução no ganho de peso, anorexia, vômito, pele seca, dermatite, perda de pêlos, diarréia, ulcerações na mucosa bucal, gastrite ulcerativa, inflamação e necrose do ceco e cólon e anemia normocítica.
* Ácido Pantotênico: sua deficiência causa crescimento lento, anorexia, diarréia, pele seca, alopécia, resposta imune reduzida e um movimento anormal de trem posterior, conhecido como passo de ganso.
* Cianocobalamina (Vitamina B12): sua deficiência causa redução no ganho de peso, perda de apetite, pele enrugada, irritabilidade, hipersensibilidade e perda de coordenação de trem posterior.
* Colina: é importante nas funções nervosas, síntese de proteína e desenvolvimento estrutural.

Minerais
Os minerais constituem uma pequena porção das dietas dos suínos, e suas funções são extremamente diversas, variando de funções estruturais à funções regulatórias.
* Cálcio e Fósforo: são importantes no desenvolvimento da estrutura do esqueleto, e também são importantes nos tecidos moles. Sua deficiência causa prejuízo na mineralização dos ossos, redução do crescimento ósseo e crescimento deficiente.
* Sódio e Cloro: são respectivamente os principais cátion e ânion extracelulares. O Sódio também é responsável pela regulação osmótica, isto é, a entrada e saída de água nas células.
* Ferro: por ser o leite das porcas deficiente em ferro, os leitões ao nascer apresentam uma baixa de ferro no organismo, sendo necessário a suplementação desse mineral no primeiro e terceiro dia de idade.

Água
A água compreende cerca de 80% do total do corpo de um leitão ao nascer, caindo para 50% em suínos de abate, sendo ela o mais essencial e o mais barato de todos os nutrientes. Quando sua ingestão é reduzida causa diminuição no consumo de alimentos, o crescimento fica limitado, há uma piora na eficiência alimentar, e, em porcas em lactação, ocorre diminuição na produção de leite. A água ajuda em várias funções fisiológicas dos animais, dentre elas: a regulação da temperatura corporal, o transporte de nutrientes, os processos metabólicos e a produção de leite.

São três as fontes de água para os suínos: a água de consumo, a água dos alimentos (de 10 a 12%) e a água produzida pelos processos de oxidação metabólica, também conhecida como água metabólica. Já suas perdas ocorrem principalmente por meio da urina, fezes e respiração (evaporação). As perdas pela urina variam devido aos rins; eles regulam o volume e a composição dos fluidos corporais, excretando assim, maior ou menor volume de água.
As necessidades de água variam devido a muitos fatores. Quando os suínos estão com diarréia, quando é aumentado o consumo de sal ou a temperatura ambiente, estão em estado febril ou lactação, há a necessidade de um maior consumo de água.

Quando ocorrem pesadas aplicações de fertilizantes no solo, contaminação dos lençóis freáticos com resíduos animais, há um aumento no potencial para problemas da qualidade da água. As águas salinas, quando são usadas como água de consumo para os animais, devem ser medidas com precaução. Os minerais mais encontrados são: Sulfatos, que possui um efeito laxativo, podendo causar diarréia, redução no ganho de peso e na eficiência alimentar; Nitratos, que reduzem a capacidade de transporte de oxigênio do sangue. A concentração combinada desses minerais é chamada Sais Dissolvidos Totais, que podem intensificar a contaminação da água para os suínos.

Bibliografia:
* Sobestiansky, J. e Wentz, I. e Silveira, P. R. S e Sesti, L. A.C.; Suinocultura Intensiva - Produção, Manejo e Saúde do Rebanho. Embrapa - Brasília - 1998
* Andrigueto, J. M. e Perly, L. e Minardi, I. e Flemming, J. S. e Gemael, A. e Souza G. A. e Bona Filho, A.; Nutrição Animal. - Volume 2. 3a edição - Nobel - 1983 - São Paulo/SP
* Anais do 3o Seminário Nutron de Suinocultura - Agosto de 1999.
* Anais do XI Congresso Brasileiro de Médicos Veterinários Especialistas em Suínos - Belo Horizonte/MG - Outubro de 1999.

A Sociedade Nacional de Agricultura recebeu autorização para publicar as informações contidas nesta página
fonte:Suino.Com - http://www.suino.com.br/

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