SNA comemora a Semana Mundial da Alimentação

Durante evento, instituição assina acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras


Antonio Alvarenga, presidente da SNA, e Marcos Diaz, presdente da OCB-RJ.

Até 2050, a população mundial será de nove bilhões de habitantes, segundo estimativas da ONU. Organismos internacionais apontam que há cerca de um bilhão de pessoas mal alimentadas no mundo. Com o objetivo de debater os desafios que o planeta terá de enfrentar na produção de alimentos, nos próximos anos, bem como o papel do Brasil na solução deste problema, a Sociedade Nacional de Agricultura, para comemorar a Semana Mundial da Alimentação, promoveu, em seu auditório, no dia 19 de outubro, uma reunião com membros da diretoria e da Academia Nacional de Agricultura. O encontro contou ainda com a participação de autoridades representativas do setor agrícola.

Na abertura do evento, o presidente da SNA, Antonio Alvarenga, saudou os presentes e falou sobre a importância de promover um debate de qualidade, reunindo personalidades de vários segmentos do agronegócio. Citando números da FAO, que prevê, até 2050, a necessidade do mundo em aumentar a produção de grãos em cerca de 50%, e de carnes, em quase 100%, Alvarenga abordou a questão de futuras demandas globais.

“Nos próximos anos, a crise de alimentos estará cada vez mais presente nos fóruns internacionais e em nosso dia-a-dia. A preocupação mundial se voltará com grande intensidade para a segurança alimentar. E o Brasil deverá desempenhar um papel cada vez mais importante nesse sentido. Além de produzir alimentos em quantidade, qualidade e preço para atender às necessidades de sua população, vem se tornando responsável por garantir boa parte das necessidades de alimentação do mundo”.


Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira.

Segundo o presidente da SNA, o Brasil vem respondendo bem a este desafio, aumentando sua produção a taxas maiores do que as taxas de crescimento nas outras regiões do planeta. “O país está ganhando participação cada vez maior no mercado internacional, consolidando-se como um grande player do agronegócio mundial”, salientou, acrescentando que, mesmo com um cenário positivo, “é necessário melhorar a pauta exportadora, com o incremento de produtos de melhor valor agregado”.

Em seguida, o diretor da SNA, Fernando Pimentel, disse que, apesar do bom momento pelo o qual o agronegócio vem passando, o setor não está imune à crise internacional. Na ocasião, traçou um painel geral do Brasil no contexto geoeconômico que, para ele, apresenta estabilidade, ao lado de países como China e Austrália.

Fábio Meirelles, presidente da Federação de Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), afirmou que as lideranças do campo devem se empenhar para defender o produtor, a cultura agrícola e a sociedade brasileira. “É necessário estabelecer uma política de defesa da nossa economia, dentro da realidade nacional”.

Cooperativismo

O movimento cooperativista também ganhou destaque durante o encontro, que foi finalizado com a assinatura de um convênio entre a SNA e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), para promover ações de ensino e capacitação, bem como projetos de sustentabilidade e segurança alimentar. Estiveram presentes à ocasião Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB-Nacional, Marcos Diaz, presidente da OCB-RJ, Jorge Barros, superintendente técnico do Sescoop-RJ, e Renato Nobile, superintendente da OCB-Brasília.

O vice-presidente da SNA, Joel Naegele, considerou o acordo histórico. “O documento garante a permanência das práticas cooperativistas, para que os produtores tenham maior assistência e ganhos”.


O presidente da SNA, Antonio Alvarenga (ao centro) recebe o empresário e produtor Ruy Barreto e Fábio Meirelles (à dir.), presidente da FAESP

Márcio Lopes de Freitas informou que, atualmente, o país conta com 1612 cooperativas, respondendo por 44% da produção brasileira. “Cooperativa é negócio, é estruturada para ganhar dinheiro”, afirmou, sugerindo, como estratégias para o setor, maior interatividade entre cooperativas e empresas, e a formação de uma sociedade anônima para captar recursos do exterior.

Ao anunciar a estruturação de um grande centro de formação cooperativista em São Paulo, Freitas declarou que “as cooperativas devem ter um compromisso maior nas comunidades em que estão presentes”.

Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira, destacou, na ocasião, o papel da SRB neste setor. “Temos um relacionamento profundo com várias associações rurais. O agricultor deve ter a capacidade de gerir seu negócio, com o apoio das cooperativas”, declarou, ressaltando a luta da SRB por uma renda e apoio maior ao homem do campo.

Produção e consumo

Para falar sobre a produção cafeeira, Rui Barreto Filho, diretor da SNA, denunciou o abandono do setor nos últimos 25 anos, lembrando a extinção, pelo governo, do Instituto Brasileiro do Café (IBC), e chamou a atenção para a falta de políticas de exportação. “Não exportamos café solúvel e, ao mesmo tempo, somos importadores de café brasileiro industrializado. Nossa política vesga beneficia o produtor e prejudica a exportação com valor agregado”, alertou.

Já na visão de Rui Barreto, “o café não é um produto primário e tornou o Brasil um dos maiores países do mundo”. Ampliando o debate, o produtor frisou que “o mundo tem, atualmente, uma enorme responsabilidade para alimentar quatro bilhões de pessoas”.

Representando a Embrapa, Regina Lago, chefe da área de alimentos da instituição, abordou as oscilações nos preços de mercado, chamou a atenção para o aumento do valor da cesta básica, e falou sobre a importância da produção alimentar. “Atualmente, não basta produzir o alimento; é preciso que haja qualidade e segurança”, declarou, citando a atuação da Embrapa nas áreas de nutrição, biotecnologia e saúde.


Fernando Pimentel, diretor da SNA.

Com o foco voltado para a cadeia do agronegócio, a coordenadora do Projeto OrganicsNet, Sylvia Wachsner, ressaltou que o setor “é uma espécie de rede onde pequenos, médios e grandes produtores dependem um do outro e das comunidades que utilizam os produtos”. “Nesse âmbito”, disse a coordenadora, “é importante saber o que o consumidor deseja”. Sylvia também observou a falta de marcas genuinamente brasileiras no agronegócio, em comparação às multinacionais.

Também presente ao encontro, o diretor da SNA, Márcio Sette Fortes de Almeida, argumentou que “o produto rural é competitivo até a porteira da fazenda, mas vai perdendo competitividade quando chega ao consumidor final”. O diretor atribui este problema a falhas de infraestrutura, incluindo fatores como transporte e armazenamento (neste caso, a carência de silos). De acordo com Márcio Fortes, “30% da safra se perde no próprio trajeto”. Segundo ele, “falta investimento e diálogo” para resolver esses gargalos.

Ao introduzir no debate a questão ambiental, o vice-presidente da SNA, almirante Ibsen de Gusmão Câmara, reconheceu que há dificuldades em conciliar a produção de alimentos com a realidade das mudanças climáticas. “O clima onde as regiões são frias será atenuado, mas nas regiões temperadas e tropicais, será mais quente. O panorama agrícola será totalmente modificado. Portanto, as próximas décadas serão cruciais para a preservação da humanidade”.

Ao final da reunião, o diretor da SNA, Alberto de Figueiredo, apresentou aos representantes da OCB um programa destinado à melhoria da pecuária leiteira no Estado do Rio.

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Notas

- SNA apresenta projeto de Centro de Inteligência em Orgânicos.
Leia mais.

- OrganicsNet e SNA participaram da feira orgânica de Santa Monica, na Califórnia.
Leia mais.

- Cartilha do Ministério da Agricultura tem como principal objetivo difundir os princípios e técnicas da produção orgânica.
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