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O Brasil contabilizava em julho 34 Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), criados a partir de agosto de 2021, em operação.

O total investido chegou a R$ 5.5 bilhões e já eram quase 80.000 cotistas desde a regulamentação experimental da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), espelhada nos fundos imobiliários. E a expansão continua, conforme indicaram números parciais de agosto.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a captação líquida desses fundos de janeiro a julho deste ano totalizou R$ 1.1 bilhão. A diferença entre aportes e resgates foi de R$ 107.8 milhões em julho, último mês com dados disponíveis.

O número de brasileiros que investem nos Fiagro aumentou 26% em julho, para 78.700 cotistas. Em agosto do ano passado, quando os três primeiros fundos começaram a captar no mercado, eram 434 investidores.

Potencial

“É um crescimento considerável, mas ainda está só começando”, disse Sergio Cutolo, vice-presidente da Anbima, ao Valor. “O mercado de capitais mostrou que tem grande potencial para atender o agronegócio, basta ter os instrumentos adequados”.

O potencial de expansão é imenso, sobretudo porque o mercado já se desenvolveu rapidamente em condições “desfavoráveis”, afirmou Mucio Mattos, diretor de Crédito e sócio da Vectis, uma das gestoras que apostaram no segmento.

Ele estima que os Fiagro serão maiores que os Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs), que têm mais de R$ 150 bilhões de investimentos, de 1.6 milhão de pessoas. “Temos um oceano azul para os Fiagro, pois o setor é resiliente e contra-cíclico”, disse Mattos ao Valor.

A frustração em termos de volume nas primeiras ofertas foi um teste do mercado, explicou Mattos, que começou a pegar tração com os follow-ons desses fundos. “O sentimento é que a indústria está entendendo o produto e pegando gosto”.

Prazo alongado

No balanço do primeiro aniversário dos Fiagro, o destaque é para o prazo de emissão mais alongado dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) que compõem os fundos. “Cerca de 15% já está com prazo de mais de seis anos. Começamos a dar capital com prazo mais adequado ao setor, que antes se financiava com Plano Safra ou Cédula de Produto Rural [CPR]”, afirmou Mattos.

A maioria desses CRAs ainda tem vencimento entre 3 e 5 anos. Neste ano, a emissão dos títulos já superou R$ 20 bilhões. O dado reforça o potencial de crescimento dos Fiagro, já que a demanda do setor por safra gira em torno de R$ 500 bilhões de crédito privado mercantil.

Modalidades

Dos 34 Fiagro até julho, 26 eram imobiliários. O volume investido nessa modalidade, R$ 4.5 bilhões, ainda representa 2% do patrimônio líquidos dos FIIs gerais, de R$ 233.8 bilhões. Mais democráticos, os Fiagro-FII têm atraído o varejo e alcançado bolsos de todos os tamanhos interessados em investir no agro, indicou Mattos.

Em junho, foi criado o primeiro fundo de participações, com 14 cotistas e patrimônio líquido de R$ 26.4 milhões. Fora do agro, são 1.400 fundos dessa modalidade, com R$ 587.9 bilhões investidos.

Sergio Cutolo disse que ainda é preciso definir as responsabilidades dos cotistas nos FIP, que hoje vão muito além do que deveriam, até com fiscalização de órgãos de controle. “Isso acaba dificultando o uso desses fundos, que é onde o investidor consegue adicionar mais valor à sua carteira”, afirmou o vice-presidente da Anbima.

Há também sete Fiagro de direitos creditórios, limitados aos investidores qualificados, com aplicação acima de R$ 1 milhão. O patrimônio líquido nessa modalidade beira o primeiro bilhão, cerca de 0,30% dos R$ 319.5 bilhões investidos nos FIDCs em geral.

Expectativas

O mercado trabalha com a expectativa de novas regulamentações, tanto para os fundos de investimentos em geral, ainda em 2022, quanto uma específica para os Fiagro, em 2023. Carlos Araújo, diretor jurídico da Vectis Gestão, disse que uma das oportunidades é permitir a interseção de fundos em uma versão híbrida.

“Hoje precisamos encaixar os Fiagro em uma das três caixinhas, FII, FIDC e Participações. Temos estruturas para o agro que têm interseções, mas hoje não podemos ter fundo de natureza híbrida”, disse.

Para Mucio Mattos, a flexibilização pode dar mais dinamismo e acessar produtores de escalas diferentes. Uma das vantagens seria colocar CPRs nos fundos sem a necessidade de empacotar em um CRA.  “A securitização traz mais custo e burocracia para a operação”.

Mattos também vislumbra oportunidades para fundos de terras, de arrendamento, de crédito de carbono, florestais, logísticos, entre outros. E vê espaço para companhias investirem nos fundos de participação ao invés de apostar na abertura de capital.

O Fiagro da Vectis tem R$ 200 milhões alocados em uma estratégia multi-setor e multi-região para mitigar os riscos. Diversificado, o fundo tem 1.700 cotistas e financia a produção de café, açúcar e álcool, revenda para pecuária e biocombustíveis em Estados como Roraima, Minas Gerais, Alagoas, São Paulo e Mato Grosso.

“Queremos ser a gestora referência no agronegócio. Vamos crescer em produtor e criar outros fundos de terra, carbono e commodity”, disse Mattos.

Fonte: Valor
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