Compartilhe nas redes sociais!

O auditório da Bahia Farm Show, em Luis Eduardo Magalhães, ficou pequeno para tanta gente interessada em um assunto essencial para quem produz: os custos de produção. O fórum “Custos de Produção: entraves ao desenvolvimento agrícola nacional” reuniu produtores e empresários atentos ao que diziam os convidados do Canal Rural. A mensagem geral foi um alerta: o Brasil produz bem, mas os custos operacionais do agronegócio colocam nossa produção em desvantagem frente a países como Estados Unidos, Argentina e China.

Julio César Busato, presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e da Bahia Farm Show, apresentou os dados referentes aos custos operacionais das últimas três safras de soja, milho e algodão no oeste baiano. A notícia não é nova, mas é alarmante: os gastos vêm aumentando, principalmente com inseticidas.

De acordo com os números apresentados por Busato, o custo médio de produção de soja está em torno de R$ 2 mil por hectares no oeste baiano, sendo 35% deste custo referente a fertilizantes, 30% agrotóxicos e com 12% logística. Para o milho, os valores estão em torno de R$ 3,5 mil por hectare, mantendo a mesma composição de custos da soja. O algodão é a cultura mais cara, com custos na ordem de R$ 6 mil por hectare, sendo o gasto com defensivos maior que com adubação.

MAIS CARO

O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq) Mauro Osaki mostrou a evolução dos custos nas três últimas safras no oeste da Bahia. O número mais estarrecedor é o gasto com inseticidas na lavoura de algodão. Na safra 2009/2010 o valor por hectare com este insumo estava em R$ 750. Na safra 2012/2013, por conta da helicoverpa, este custo subiu para R$ 1.550,00 por hectare.

“Ocorrências como estas colocam em cheque nossa competitividade, porque nosso custo já não é barato”, disse Osaki.

O levantamento do pesquisador mostra que entre a safra 2009/2010 e a safra 2012/2013, os custos de produção da soja aumentaram 19%, com destaque para o crescimento da participação de fungicidas e inseticidas na composição do valor. Na safra de verão de milho, o acréscimo no custo operacional foi de 17%.

“No milho, o custo da tecnologia de sementes tem pesado muito, até mais que com fertilizante. Hoje a semente de alta tecnologia está representando 30% da composição dos gastos soma mais 30% de adubo e você tem mais da metade dos custos em apenas duas variáveis. O milho segunda safra é uma atividade de grande risco por isso”, aponta Mauro Osaki.

Osaki lembra, ainda, que o uso de inseticidas de controle de lagartas tem aumentado mesmo com o uso de variedades geneticamente modificadas.

“Esperávamos que com estas tecnologias fosse diminuir o gasto com inseticidas, mas isso não vem acontecendo.”

COMPETITIVIDADE

Para o economista-chefe da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, o Brasil não tem problema de produtividade, mas os altos custos de insumos e logística fazem com que a produção brasileira perca competitividade no mercado externo.

“Na média, de 2008 a 2012 tivemos aumento de produtividade, mas, em compensação, nosso custo operacional total também foi maior.”

Antônio da Luz aponta que os custos operacionais da produção agrícola brasileira são bastante superiores aos dos produtores dos Estados Unidos e da Argentina. Os vizinhos latinos possuem ainda outra vantagem: usam menos fertilizantes que nós.

“Estamos todos os anos competindo para ser o país que mais vai produzir soja, mas temos que perceber que já estamos liderando nos custos. Isso é um problema. Se vendemos um produto que tem um preço internacional, no momento em que temos um custo maior estamos perdendo competitividade para os demais”, apontou o economista.

Fonte: Canal Rural

Compartilhe nas redes sociais!