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O Brasil é o quarto maior produtor mundial de leite, com 34 bilhões de litros, sendo Minas Gerais o maior produtor nacional. Foto: Pixabay

Em 1º de junho é comemorado o Dia Mundial do Leite. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU) instituiu a data, em 2001, para incentivar o consumo do alimento em mais 85 países que comemoram a ocasião.

“É importante oportunidade de valorizarmos o leite, o trabalho dos produtores e da indústria, e de levarmos informações ao consumidor, promovendo cada vez mais o consumo”, disse Rodrigo Alvim, vice-presidente do Sistema Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais).

O leite está presente na vida do brasileiro. O Brasil ocupa a 65ª posição no consumo mundial de produtos lácteos, com média anual de 169 litros por pessoa, valor abaixo do ideal estabelecido pelas Nações Unidas, que é de 200 a 220 litros por ano. É o quarto maior produtor mundial, com 34 bilhões de litros, sendo Minas Gerais o maior produtor nacional.

Produção no mundo (em bilhões de litros)*

*Dados: FAO e USDA/2019

1º lugar – EUA – 91,3

2º lugar – Índia – 60,6

3º lugar – China – 35,7

4º lugar – Brasil – 34,3

Produção no Brasil (mil litros)

1º lugar – Minas Gerais (26,40%) – 8.939.159

2º lugar – Paraná (12,50%) – 4.375.422

3º lugar – Rio Grande do Sul (12,50%) – 4.242.293

4º lugar – Goiás (9,10%) – 3.084.080

5º lugar – Santa Catarina (8,80%) – 2.970.654

A história

O leite de origem animal começou a ser consumido pelos humanos há 11.000 anos, com a domesticação da vaca, no Oriente Médio. Até pouco tempo, o consumo era apenas fresco, devido às dificuldades de conservação. Com novas tecnologias, surgiram os derivados, como a manteiga e o queijo, e a produção de lácteos se diversificou.

No entanto, somente após a descoberta da pasteurização, em 1864, o processamento do leite ficou mais higiênico, a conservação mais fácil e o consumo foi intensificado. Hoje, a produção de leite no mundo ultrapassa 513 bilhões de litros por ano.

A bebida está na história do Brasil. Entre os anos de 1898 a 1902, os governadores de São Paulo e Minas Gerais faziam a “política do café com leite”, impedindo que o principal cargo do poder executivo fosse ocupado por representante dos interesses de outros estados. São Paulo (produtor de café) e Minas Gerais (produtor de leite) eram os estados mais ricos e populosos no Brasil da República Velha.

Made in Minas Gerais

O leite e seus derivados são os principais fornecedores de cálcio, nutriente essencial para a formação dos ossos. Além de conter proteínas, carboidratos, sais minerais e vitaminas (A, B1, B12), o leite é um dos alimentos de origem animal com menos colesterol. Os tipos de leite mais comuns são: integral, semidesnatado, desnatado, enriquecido (com ferro e vitaminas) e sem lactose.

É do Estado de Minas Gerais que vem a maior produção. No ano passado foram 8.9 bilhões de litros de leite. O valor bruto da atividade (VBP) no estado ultrapassou R$ 9.5 bilhões. Uma das mais importantes e tradicionais cadeias do agro mineiro, a pecuária de leite está presente em todas as regiões de Minas. São mais de três milhões de vacas ordenhadas, em 225.000 propriedades rurais mineiras.

Produção em Minas (mil litros)

1º lugar – Sul de Minas – 1.580.017 (17,70%)

2º lugar – Alto Paranaíba –1.535.858 (17,20%)

3º lugar – Central Mineira – 1.280.617 (14,30%)

4º lugar – Centro Oeste – 1.055.506 (11,80%)

5º lugar – Triângulo – 777.208 (8,70%)

Maiores produtores de leite em Minas

1º Patos de Minas

2º Patrocínio

3º Coromandel

4º Pompéu

5º Prata

A produtividade média do estado é de 2.840 litros por animal ao ano (ou 9,3 litros/vaca/dia). Esse indicador é um dos que mais tem avançado ao longo dos anos, revelando o investimento dos pecuaristas em melhoramento genético, nutrição animal e cuidados diversos com o rebanho.

As dificuldades

Com a pandemia, os produtores passaram a enfrentar mais dificuldades. Com alto custo de produção e preço do leite em baixa, as mudanças de cenário têm sido diárias, e os pecuaristas têm se esforçado para superar os obstáculos.

O analista de agronegócios do Sistema Faemg, Wallisson Lara, lembra que, para os produtores, os primeiros dias da pandemia foram de muitas dificuldades no escoamento da produção (inclusive com estradas fechadas e descarte do leite), ao mesmo tempo em que os consumidores corriam às compras.

Crescia a demanda, especialmente, por derivados lácteos de mais longa validade, como o leite em pó e o UHT, que rapidamente registraram preços mais altos no varejo. “E pouco, ou nenhum, acréscimo ao produtor”, afirma Lara.

“O mercado logo mostrou que o movimento foi um ‘voo de galinha’ e o consumo declinou. Não sabemos os efeitos que a crise vai gerar no setor leiteiro, e temos tido dificuldades no planejamento de custos e investimentos, por exemplo, pois as informações e o cenário mudam a cada instante.”

O fechamento do setor de food service (bares, restaurantes e lanchonetes) ainda dificulta a comercialização da produção para alguns segmentos, como o de queijos. Associações de queijeiros artesanais têm, inclusive, pleiteado tarifas especiais para o envio, pelos correios, dos produtos vendidos online.

“Para completar, o cenário da pecuária leiteira hoje é de elevados custos de produção. A relação de troca (valor do leite produzido versus custo com alimentação do rebanho) é bastante desfavorável ao produtor”, diz Lara.

“Em abril, foram necessários 47,6 litros de leite para a aquisição de 60 kg de mistura (ração). Para se ter uma ideia, no mesmo mês de 2019, essa relação ficava em 32,7 litros”.

Recentemente, o “Desafio do Leite” mobilizou as redes sociais com o objetivo de incentivar os pequenos produtores com o maior consumo de leite e derivados. A Ministra da Agricultura, Tereza Cristina e o presidente Jair Bolsonaro foram algumas das lideranças que beberam um copo de leite, evidenciando a importância da cadeia leiteira em tempos de Covid-19.

Tecnologia para melhorar

Já mostramos em uma reportagem que o USDA desenhou a vaca do futuro: animais menores, que produzem grande quantidade de leite a pasto e emitem menos gases.

Outros fatores também estão envolvidos para melhorar a atividade leiteira. Uma delas é o melhoramento genético e cruzamentos entre raças que elevam o potencial produtivo. Aliado a isso, nutrição de qualidade e manejos de bem-estar animal com instalações corretas. A pecuária de precisão já é uma realidade.

Pesquisas da Embrapa Gado de Leite apontam que um dos desafios da moderna gestão é manter a individualidade de cada animal. Já existem softwares e aplicativos que permitem fazer a coleta, armazenar e analisar dados como taxa de prenhez, cio, dados sobre o bezerro, produtividade, entre outros.

Além disso, a pesquisa e programas de melhoramento da Embrapa Gado de Leite vem auxiliando nos ganhos. Um projeto com girolando, por exemplo, mostrou aumento de 60% na produção e o melhoramento com Gir, um crescimento de 52% na produção, com 69% de diminuição na emissão de gases.

“Com a nova ferramenta de avaliação genômica, é usado o DNA de cada animal, o que faz com que a seleção seja mais rápida e efetiva”, destaca o pesquisador Marcos Vinícius Barbosa.

Iniciativas

Em Minas Gerais, o Senar faz a gestão do programa Balde Cheio. A missão é alcançar maior produtividade e redução de custos. “Os técnicos orientam os produtores para o uso de técnicas e inovação de baixo ou nenhum custo, combinando e otimizando fatores produtivos que já têm em suas propriedades. Há casos em que o aumento da produção superou 1.000”, diz Rodrigo Alvim, vice-presidente do Sistema Faemg.

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais/Instituto de Laticínios Cândido Tostes (Epamig/ILCT), desenvolve pesquisas aplicadas para produtos lácteos e melhoria de processos e inovações para a indústria de laticínios.

Segundo o coordenador Júnior César de Paula, as empresas estão buscando o desenvolvimento de tecnologias, produtos e processos para atender uma população cada vez mais exigente e preocupada com qualidade de vida.

“As pesquisas envolvem o desenvolvimento de produtos lácteos probióticos e de bebidas funcionais como o ‘Refrigerante do bem’, uma bebida láctea carbonatada, adicionada com um corante bioativo (luteína), que possui atividade antioxidante e efeito positivo na saúde ocular”, explica.

 

Fonte: Agrolink

Equipe SNA

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