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A disputa comercial travada desde o ano passado entre a China e os Estados Unidos – onde os dois países iniciaram um movimento bilateral de imposição de tarifas e retaliações relacionadas com a exportação – acabou impactando de forma significativa o mercado de grãos, principalmente em solo norte americano.

Segundo o portal especializado world-grain.com, o tamanho do impacto se compara ao surgimento dos cultivos geneticamente modificados, mas com a impossibilidade de se fazer um planejamento.

Isso porque os dois lados concordaram com a suspensão de 90 dias da próxima escalada das tarifas dos EUA sobre os produtos chineses, que deveriam ser implementados até 1º de janeiro.

Ou seja, a trégua da guerra comercial manteve a escalada das tarifas já em vigor e retardou a implementação de novos obstáculos tarifários e não tarifários ao comércio, mas não removeu a incerteza quanto o prosseguimento da disputa nos meses que seguirão a trégua.

“Ninguém, nem mesmo os lados opostos neste conflito econômico em evolução, parece saber o que vai acontecer a seguir”, disse Patrik Berglund, diretor executivo da Xeneta.

“No início de dezembro, tivemos os presidentes Trump e Xi celebrando um aparente cessar-fogo na reunião do G-20 na Argentina, apenas para o caso da Huawei ilustrar rapidamente que as hostilidades estão longe de terminar”.

Ken Eriksen, vice-presidente sênior do IEG Vantage, explicou que o surto de hostilidade comercial fez com que compradores chineses trocassem suas compras pelo Brasil. Para ele, essa seria a principal causa da desordem nos mercados de grãos e transporte.

“Quando as tarifas chegaram no início de julho, você viu o preço da soja cair. Os preços subiram e o que aconteceu foi que os EUA foram bloqueados na China”, disse.

“E mesmo se o preço dos EUA fosse competitivo para a China com as tarifas em vigor, ninguém queria arriscar o transporte de soja para a China porque a China basicamente não queria permitir o cultivo de grãos nos EUA”.

 

Agrolink

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