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O Brasil colheu em 2021 praticamente o mesmo volume de produtos agrícolas obtido no ano anterior, mas recebeu montante recorde pela produção. O destaque no ano passado foi a soja, que respondeu por 46% do Valor Bruto da Produção agrícola (VBP) em 2021.

Os dados são da pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) 2021, divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Pode ser que a soja supere muito em breve os 50% do valor da produção agrícola nacional”, estimou Winicius Wagner, gerente da Pesquisa do IBGE.

A colheita recorde de soja em 2021 fez a produção nacional do grão superar a safra americana pelo terceiro ano consecutivo, consolidando o Brasil como o maior produtor mundial de soja, indicou o pesquisador do IBGE. “Mais impressionante é que, mesmo com a produção 10% maior que a do ano anterior, ou seja, mesmo com uma oferta maior do produto no mercado, o preço atingiu recorde em 2021”.

A safra agrícola brasileira registrou um VBP recorde de R$ 743.3 bilhões em 2021, com aumento de 58,60% em relação ao do ano anterior.

Compensação

“Houve alta de custos com insumos, mas o gasto maior com a manutenção da lavoura foi mais do que compensado pela valorização do dólar ante o real e pelo aumento de preços de produtos agrícolas no mercado internacional”, disse Wagner. “O aumento nos insumos de produção penaliza o produtor, mas ele é compensado de certa forma pelos preços das commodities”.

A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas totalizou 254.4 milhões de toneladas no ano de 2021, cerca de 0,40% menor do que a de 2020. A área plantada chegou a 85.8 milhões de hectares, 3,30% superior à de 2020.

Instabilidade

“O ano foi marcado pela instabilidade climática entre o outono e o inverno, que afetou principalmente o desenvolvimento das culturas de segunda safra em boa parte do território nacional. Culturas como o milho, a cana-de-açúcar e o café apresentaram significativa queda na produção”, indicou o IBGE, em nota.

“Os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul foram os mais afetados. Contudo, as principais culturas temporárias (anuais) com predomínio de cultivo na primeira safra, como a soja e o arroz, apresentaram bons resultados. Destaque para o Rio Grande do Sul, que registrou boa recuperação, após problemas climáticos enfrentados no ano anterior, que afetaram a produtividade de diversas culturas no território gaúcho”.

Soja e milho

A produção de soja, de 134.9 milhões de toneladas, 10,80% maior que a de 2020, totalizou R$ 341.7 bilhões em VBP em 2021, um aumento de 102,10% em relação ao ano anterior. O município de Sorriso, em Mato Grosso, registrou o maior VBP da produção de soja, com uma parcela de R$ 5 bilhões, seguido por São Desidério, na Bahia, com R$ 4.2 bilhões, e Rio Verde, em Goiás, com R$ 3.7 bilhões.

A safra de milho de 88.5 milhões de toneladas, 14,90% menor que a de 2020, conquistou um VBP de R$ 116.4 bilhões em 2021, com aumento de 60,70% em relação ao ano anterior. Sorriso também foi destaque, com R$ 3.9 bilhões de VBP do grão, seguido por Rio Verde, com R$ 3.5 bilhões, e Nova Ubiratã, no Mato Grosso, com R$ 2 bilhões.

Cana e café

A cana-de-açúcar registrou queda de 5,30% na safra de 2021 em relação a 2020, com 715.7 milhões de toneladas, mas ainda alcançou o terceiro maior VBP entre os produtos pesquisados, R$ 75.3 bilhões no ano passado, um aumento de 24,40% em relação ao ano anterior. Os três principais municípios em valor de produção da cultura foram Uberaba (MG), Rio Brilhante (MS) e Nova Alvorada do Sul (MS).

A safra de café, de 3 milhões de toneladas, 19,20% inferior em comparação com a de 2020, teve um VBP de R$ 34.9 bilhões, com aumento de 27,90%. Os municípios de Patrocínio (SP), Pedregulho (SP) e Campos Gerais (MG) se destacaram no valor de produção de café arábica, enquanto Rio Bananal (ES), Vila Valério (ES) e Linhares (ES) obtiveram os maiores valores para o canephora (robusta, ou conilon).

Outros produtos

A produção de algodão de 5.7 milhões de toneladas, 19,20% menor do que a de 2020, rendeu R$ 26.5 bilhões em VBP em 2021, um aumento de 38,60% em relação ao ano anterior. O município de Sapezal, em Mato Grosso, arrecadou R$ 4.6 bilhões, seguido por Campo Novo do Parecis, também em Mato Grosso, com R$ 2.2 bilhões, e São Desidério, com R$ 1.7 bilhão.

Os demais destaques no ranking do VBP em 2021 foram arroz em casca (R$ 19.147 bilhões, com aumento de 64,60% em relação a 2020), mandioca (R$ 12.702 bilhões, com alta de 16,60%), laranja (R$ 12.535 bilhões, com aumento de 16,80%), feijão em grão (R$ 12.049 bilhões, com aumento de 11,80%) e trigo (R$ 10.999 bilhões, com alta de 62,40%).

O Estado de Mato Grosso registrou o maior VBP em 2021, R$ 151.7 bilhões, com aumento de 91,50% em relação a 2020. O Rio Grande do Sul totalizou R$ 90.8 bilhões, com alta de 138,40% em apenas um ano, e São Paulo totalizou R$ 84.1 bilhões, com aumento de 23,70%.

Fonte: Broadcast Agro
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