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Amazônia: queimadas diminuíram 14% até agosto deste ano na região.

Dados de monitoramento por satélite da Agência Espacial Americana (NASA) mostram que, entre 1º de janeiro e 15 de agosto de 2022, as queimadas no Brasil diminuíram 15% e aumentaram 19% no restante da América do Sul.

Neste ano, segundo a agência americana, foram registradas, até o momento, 49.638 queimadas, contra 58.972 ocorrências observadas de janeiro a agosto de 2021. Além disso, informou a NASA, nos últimos dois anos, o Brasil reduziu em cerca de 25% a incidência de queimadas e incêndios em seu território.

“Ninguém na América do Sul apresentou valores absolutos e relativos de redução de queimadas comparáveis aos do Brasil, até agora. Descontado o País, o número de queimadas e incêndios na América do Sul cresceu em 2022, e passou de 65.181 para 77.715 no período”, destacou, em recente artigo, Evaristo de Miranda, pesquisador da Embrapa e titular da Academia Nacional de Agricultura da SNA.

Segundo ele, as queimadas e incêndios entre janeiro e 15 de agosto, quando totalizados para cada bioma brasileiro, apresentam uma queda generalizada. “As maiores reduções aconteceram nos biomas Pampa (-53%), Caatinga (-45%) e Mata Atlântica (-39%). A menor, de -2%, ocorreu no Cerrado. Os dados apontam uma diminuição de 14% na Amazônia e de 22% no Pantanal, em relação ao mesmo período em 2021”, ressaltou Evaristo.

“São boas notícias para quem se preocupa com a Amazônia e o Pantanal, mas pouco noticiadas. Aqui e no exterior, silêncio geral”. No entanto, declarou o acadêmico, “com ou sem noticiário, os anos de 2021 e 2022 passarão à história do Brasil como de redução nas queimadas. O Poder Executivo, acusado pelo aumento do fogo na Amazônia e no Pantanal em 2020, receberá crédito pela redução do fenômeno por dois anos consecutivos?”

Europa

Em matéria de incêndios, o pesquisador chamou a atenção para o grande número de ocorrências na Europa. “Neste ano, a Europa atingiu o recorde de incêndios desde 2006, segundo dados atualizados em 13 de agosto pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis). Desde 1º de janeiro foram incendiados quase 700.000 hectares de florestas, um recorde desde o início do monitoramento”.

Emissões de carbono

Outro problema relatado por Evaristo é a emissão de carbono proveniente dos incêndios. “No Brasil as queimadas ocorrem em pastagens, sobre restos de cultivos e em formas de uso da terra com baixa densidade de vegetação (capoeiras). Já os incêndios na Europa ocorrem em florestas de coníferas e de caducifólias, cuja fitomassa pode conter até centenas de toneladas de carbono por hectare”.

“Essas emissões dos incêndios serão totalizadas e incorporadas nos relatórios anuais sobre ‘emissões de gases de efeito estufa’ da França e outros países europeus? Pouco provável”, questionou o pesquisador. “Mesmo se essa exigência seja colocada por europeus em relação às queimadas nos relatórios brasileiros. Os dados serão integrados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas?”

Agro

No contexto da agricultura, Evaristo explicou que, no Brasil, “é sobretudo o produtor não tecnificado, descapitalizado e marginalizado do mercado quem emprega o fogo para renovar pastagens, combater carrapatos, eliminar resíduos vegetais acumulados, limpar áreas de pousio, etc. E esses agricultores são minoria”, disse.

“São mais de seis milhões de produtores e cerca de 110.000 queimadas rurais por ano. Mais de 98% dos produtores não empregam o fogo. Não é uma prática generalizada, apesar de alguns acusarem toda a agropecuária de incendiária”.

Segundo Evaristo, é possível reduzir o uso do fogo a menos de 1% dos produtores, substituindo as queimadas por novas tecnologias nos sistemas de produção. “Alternativas técnicas à pratica das queimadas existem, como demonstra a Embrapa”.

Fonte: Revista Oeste
Equipe SNA
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