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Bruno Barros da agtech dataRain

Bruno Barros, account manager para o agronegócio da dataRain

O Agronegócio é uma indústria a céu aberto, que já responde por 27% do PIB brasileiro

Entrevista com Bruno Barros, account manager para o agronegócio da dataRain — empresa 100% nacional dedicada à tecnologia em nuvem, parceira da AWS. Bruno se autodenomina “um apaixonado pelo trabalho que faz” e, como a maior parte dos executivos do setor de tecnologia e negócios, aguarda pela tecnologia 5G que amplificará o uso de ferramentas tecnológicas no agronegócio definido por ele como “uma indústria a céu aberto”. Essa indústria, que já responde por 27% do PIB brasileiro, espera viver uma revolução na produção de alimentos e, consequentemente, na segurança alimentar do mundo, com a implementação da nova conectividade.

SNA – A tecnologia 5G é apenas um aumento na velocidade da conexão ou ela também é mais fácil de ser instalada e menos suscetível às zonas de sombra?

Bruno Barros – A tecnologia, em um primeiro momento, pode ser vista apenas como um aprimoramento da atual tecnologia, o 4G. Porém, além do aumento das taxas de transmissão e consequente aumento de velocidade, o 5G irá trazer uma menor latência, uma maior densidade de conexões (permitirá a conexão de diversos objetos ao mesmo tempo, impulsionando assim o IoT e tecnologias como Machine Learning e Inteligência Artificial na ponta), uma maior eficiência espectral (que significa um aumento da quantidade de dados transmitidos por unidade de espectro eletromagnético) e uma maior eficiência energética.

Do ponto de vista da instalação, sabemos que serão necessárias de cinco a dez vezes mais antenas do que o 4G, porém são antenas menores – com dimensões similares a uma caixa de sapato. Sobre as zonas de sombra, este é um ponto que será validado apenas com o avanço da tecnologia e sua utilização.

SNA – Em termos práticos, quanto tempo acredita que a boa nova vai chegar, de fato, na gestão de negócios do campo?

Bruno Barros – Acho que o 5G ainda vai levar um bom tempo para se tornar uma realidade, principalmente para o agronegócio. Eu projeto que poderemos ter esta tecnologia de fato aplicada nos campos a partir de 2025, talvez até 2030… Isso porque ainda temos muito a caminhar em relação à infraestrutura necessária para viabilizar a conectividade no campo. Mas o legal é ver que com a chegada desta nova tecnologia nas capitais brasileiras -, já está em operação em Brasília desde julho -, surgiu um movimento muito grande nas discussões sobre conectividade em regiões remotas onde hoje não temos qualquer tipo de conectividade, isso já é um grande avanço que precisa ser revertido em resultados. Hoje se pensarmos que é difícil conseguir implementar uma boa conectividade em uma indústria, que dirá no agro que é uma indústria a céu aberto e que não tem ainda acesso, em grande parte, aos predecessores desta tecnologia (3G / 4G)?

SNA –Na sua carteira de clientes já existem produtores rurais? Se existem, pode dizer quantos ou apontar algum cliente que já esteja se adaptando a essa nova tecnologia?

Bruno Barros – Sim, já temos clientes do setor. A gente não abre quantidade, mas posso te dizer que são menos de dez. Na verdade, vejo que o 5G vai impulsionar o uso de tecnologias que hoje já são utilizadas, alavancar os resultados obtidos e possibilitar inovação e a criação de novas tecnologias e aplicabilidades no campo. Como disse, qualquer tipo de conectividade permite o uso das tecnologias que irei listar, mas o 5G e sua possível chegada ao campo impactaria muito mais nos resultados da aplicação destas tecnologias – por conta das maiores taxas de transmissão/velocidade, menor latência, uma maior densidade de conexões (permitirá a conexão de diversos objetos ao mesmo tempo, impulsionando assim o IoT e tecnologias como Machine Learning e Inteligência Artificial na ponta), uma maior eficiência espectral (que significa um aumento da quantidade de dados transmitidos por unidade de espectro eletromagnético) e uma maior eficiência energética.

Tecnologias como a Agricultura de Precisão, que hoje já é utilizada, será muito impactada sendo possível tratar cada talhão/linha de maneira única visando a maior produtividade com maior eficiência na utilização de recursos – defensivos, água, insumos… Com o 5G, a análise da necessidade de cada linha/talhão e a aplicação do que realmente é necessário para cada caso será possível em tempo real.

O monitoramento das atividades agrícolas que hoje também já é uma realidade, terá muitas outras aplicações com a chegada do 5G. Correlação de dados, análise de dados em tempo real para a tomada de decisão em tempo hábil e automação de certas atividades poderão ser alavancadas com o advento do 5G. Outras tecnologias que serão alavancadas: uso de drones para controle e prevenção, conexão de máquinas por meio da internet das coisas (IoT), estimativa de safra, monitoramento de culturas e animais, automatização de colheita e pulverização, entre outros.

SNA – Você acredita que, dada a representatividade do agronegócio no PIB brasileiro, a tecnologia 5G será muito requisitada no campo?

Bruno Barros – O meu trabalho hoje é levar a tecnologia e possibilitar a transformação digital para o agronegócio por meio das soluções em nuvem da Amazon, que é a AWS. Hoje, para trabalharmos com as soluções mais disruptivas do mercado, inclusive com a maior parte das soluções da AWS, nós precisamos de algum tipo de conectividade. Já vemos um movimento muito grande no agronegócio como um todo que pede pela conexão no campo. Projetos como o ConectarAGRO, por exemplo. Com certeza o 5G será requisitado no campo para impulsionar e possibilitar o uso de novas tecnologias que poderão trazer muitos resultados aos produtores nacionais e mundiais.

SNA – Será necessário então capacitar agrônomos e produtores rurais para lidar com essas novas ferramentas tecnológicas?

Bruno Barros – Não usaria a palavra capacitar, mas sim ajudar os agrônomos e produtores rurais a entender os benefícios e como estas tecnologias poderão apoiá-los a obter melhores resultados e maior eficiência nas suas operações. A tecnologia está aqui para ajudar o agronegócio a superar os desafios, que não são poucos, e acredito muito mais que nós, que trabalhamos com tecnologia, temos de aprender com os agrônomos e produtores rurais para somarmos a inteligência deles às tecnologias.

Quando a gente fala dessas tecnologias, em geral, gera receio porque é uma mudança muito grande, mas se você tem o apoio de um parceiro como a dataRain mostrando o valor dessas tecnologia e os benefícios e avanços que vão gerar no agronegócio, isso se dissipa.

SNA – Vocês têm alguma estatística sobre o impacto 5G nesse mercado?

Bruno Barros – O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) prevê um aumento de 6,3% no valor bruto da produção agropecuária brasileira com a ampliação de 25% na conexão do campo. A tecnologia do 5G também terá impacto direto no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que pode crescer R$ 6,5 trilhões a mais até 2035, conforme previsão da consultoria Omdia. Em âmbito global, estima-se que US$ 330 bilhões serão adicionados ao PIB mundial por aplicativos 5G no gerenciamento de utilitários inteligentes até 2030, mas nada direcionado ao impacto que este representará no agronegócio. Hoje não temos um estudo que mostre os possíveis impactos financeiros detalhados que o 5G pode trazer ao agronegócio mundial, mas as possibilidades que o 5G, a conectividade no campo e as tecnologias que podem ser aplicadas no campo com a chegada destes representará um grande impacto, certamente, no sistema de alimentos mundial.

SNAComo estão apresentando ao mercado suas soluções?

Bruno Barros – A dataRain realiza eventos digitais. Recentemente, inclusive, realizamos um webinar sobre Internet das Coisas (IoT) e suas possíveis aplicações. Também participamos de eventos presenciais para criar novas conexões e estar presente nas iniciativas do mercado. Neste ano participamos do Show Rural, em Cascavel, da Agrishow – Ribeirão Preto e participaremos também do GATUA, no segundo semestre.

SNA – Existe algum produto específico para previsão meteorológica?

Bruno Barros – Trabalhamos com fontes de dados externas à AWS, como a Nasa, por meio de uma solução chamada “Data Exchange” onde é possível obter dados climáticos, imagens de satélite entre outros tipos de dados e correlacionar com informações provindas do seu negócio para gerar novos insights e informações valiosas para a tomada de decisões.

SNA – Você pode explicar o que são as tecnologias como Data Lake e qual a utilização prática para o setor?

Bruno Barros – Claro, o Data Lake nada mais é do que um tecnologia para armazenagem de dados. Podemos trabalhar com dados estruturados provenientes de bancos de dados, planilhas ou com dados não estruturados, que não tem uma estrutura definida. Esses seriam os que vem de sensores do campo, imagens de drones, imagens de satélite, etc. Com a chegada do 5G será possível gerir mais dados e conseguir tirar valor destes de uma maneira mais assertiva e rápida. Poderemos utilizar soluções como Machine Learning, Data Analytics para o processamento de tais dados e apresentação deles para uma tomada de decisão baseada em dados. Inclusive, hoje já vemos várias empresas líderes do agronegócio com projetos de dados envolvendo Data Lake e outras tecnologias.

Hoje os dados são o novo petróleo e as maiores empresas do mundo já entenderam esse movimento. Empresas como Amazon, Apple e Facebook já trabalham totalmente focadas na geração de dados e na criação de valor em cima destes dados para impulsionar os seus resultados. O agronegócio precisa, cada vez mais, usar estratégia como um direcional.

Por Lenke Pentagna
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